São eles: Glaucus Saraiva, o organizador; Paixão Côrtes, o dinâmico e Barbosa Lessa, o estudioso.
Aqui veremos um pouco da história destes ícones fundadores e idealizadores da primeira ideia de tradicionalismo. espero que gostem.
Glaucus Saraiva
Glaucus Saraiva foi e é ainda um dos nomes mais importantes do gauchismo. Ele, Paixão Côrtes e Barbosa Lessa são os três reis magos que trouxeram os presentes que até hoje ornam o altar da tradição, três homens com os quais o Rio Grande contraiu uma dívida irresgatável.
Poeta maravilhoso dos antológicos Chimarrão, Velho Poncho e Borracho, para ficar apenas nos seus versos mais conhecidos. Compositor de canções como Porongo Velho, Meu Cusco Barbudo e Tropeada. Cantor que fez parte de dois grupos famosos: Os Gaudérios e Quitandinha Serenaders, onde era companheiro de Luís Telles e João Gilberto. Foi um dos primeiros professores escolhidos para lecionar no curso de pós-graduação em Folclore da Faculdade Palestrina, de lendária memória, onde foi responsável pela cadeira de Folclore Infantil. As pesquisas que efetuou nessa área resultaram num livro lindíssimo publicado pelo Instituto de Folclore, referência obrigatória no tema. E na coleção de brinquedos que hoje faz parte do Museu Glaucus Saraiva na bela sede do CTG Sinuelo do Pago, em Uruguaiana, ao qual ele doou com a esperança de fazer prosélitos e discípulos.
Glaucus Saraiva nasceu em São Jerônimo, filho de família tradicional. Logo se destacou dos irmãos e irmãs como "ledor" incansável e atleta perfeito. Era um autodidata por excelência, com uma formação humanística impressionante.
Paixão Côrtes
O folclorista Paixão Côrtes, personagem decisivo da cultura gaúcha e do movimento tradicionalista no Rio Grande do Sul é o 16º entrevistado de Passado Presente, série que revista a formação do pensamento crítico contemporâneo no Estado É realmente uma pena que o jornal não tenha som, porque a entrevista que se vai ler ganharia muito se fosse acompanhada do verbo vivo do entrevistado.
"João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes é uma figura inesquecível em vários sentidos, incluindo o sentido da audição: as pausas, as ênfases, as exclamações, as suspensões, os “Bá” alongados, a entoação para acompanhar a referência a uma antiga canção, tudo isso é irrepetível na folha de papel."
Um pouco assim, inapreensível, é o valor e o alcance da sua obra. Nascido a 12 de julho de 1927, em Santana do Livramento, de pai agrônomo e mãe dotada de boas qualidades musicais, Paixão Côrtes parece ter sintetizado essas duas marcas – formou-se em Agronomia também, e é artista também, não do canto mas da dança – e ao mesmo tempo parece haver ultrapassado os limites do que se poderia esperar de alguém com sua história. Por quê? Porque ele é um dos sujeitos diretamente responsáveis pelo nascimento da atual voga gauchesca. “Um dos” é muito pouco: Paixão Côrtes é um dos dois formuladores e animadores decisivos do movimento tradicionalista gaúcho – o outro é o falecido Luiz Carlos Barbosa Lessa, a quem Paixão se refere como “o Lessa”, um sujeito quieto, com pendor literário e intelectual, de alguma maneira o oposto complementar de Paixão, mais arrebatado, mais homem de ação e iniciativa.
A estrada foi longa e cheia de percalços. Começa, talvez, na vivência campeira. Segue na experiência de peão, desempenhada todas as férias, em contraponto com a vida escolar urbana em Santana, Uruguaiana e Porto Alegre, sucessivamente. Continua, quem sabe, na dura passagem em que perde o pai e precisa trocar o colégio privado pelo público, o diurno pelo noturno, a vida relativamente inconseqüente pelo trabalho.
Deslancha, a partir de 1947, quando se junta com amigos igualmente interioranos e saudosos da vida agauchada (entre os quais Lessa) e com eles literalmente inventa uma tradição: a de fazer vigília de um fogo tirado à Pira da Pátria, que arderá dali por diante pela imaginária, afetuosa, desejada “pátria” sul-rio-grandense.
Paixão Côrtes e Barbosa Lessa partem para a pesquisa de campo, para recuperar traços de cultura popular local eventualmente sobreviventes à avalanche da cultura norte-americana, quer dizer, estadunidense, que, vitoriosa na II Guerra, cobrou um preço alto das neocolônias. Paixão e Lessa, expressando ativamente o mal-estar do momento, partiram para a ação, viajando pelo Interior para salvar o passado da intensa remeça de novidades de fora do país. Estava sendo gestado o lado cultural-popular do tradicionalismo, antes mesmo de a palavra “folclore” ser usada.
Paixão Côrtes não se limitou a isso. Serviu de modelo para a estátua do Laçador e foi garoto-propaganda televisivo, nos primórdios do veículo, vestido à gaúcha quando isso era ainda uma esquisitice, hoje alguns ainda achão isto...
Organizou o 35 CTG, liderou grupos de música e dança, viajou à Europa como artista, fez e aconteceu. Poderia estar calmamente, agora, curtindo as glórias de sua intensa vida. Mas não: parece mais ativo que nunca, insatisfeito com certos aspectos do tradicionalismo.
Ele diz que a coisa está muito embretada, com pouca variação. A sensação que fica é de que mais três dias de entrevista ainda não seriam suficientes para ouvir tudo o que ele tem para contar. Mas o espaço é finito, e o foco desta entrevista, realizada em sua casa, em Porto Alegre, foi o período de gestação deste fenômeno absolutamente impressionante que é o mundo do tradicionalismo, dos CTGs, da identidade cultural gaúcha, que ele ajudou a estabelecer.
Vida e obra associadas fortemente, as de Paixão Côrtes, um sujeito da maior relevância para entender nosso tempo. “Me chamavam de guasca. Eu não me ofendia”diz paixão.
Barbosa Lessa
Nasceu em 13 de dezembro de 1929, numa chácara nas imediações da histórica vila de Piratini (capital farroupilha), RS. Devido à dificuldade para cursar uma escola regular, teve de aprender as primeiras letras e quatro operações com sua própria mãe, a qual, ao se improvisar de professora, também lhe ensinou teoria musical, um pouco de piano e, inclusive, uma novidade na época chamada datilografia.
Indo cursar o ginásio na cidade de Pelotas (Ginásio Gonzaga), aos doze anos fundou um jornal escolar (“O Gonzagueano”), em que publicou seus primeiros contos regionais ou de fundo histórico. E também fundou o conjunto musical significativamente denominado “Os Minuanos” (uma das tribos indígenas no velho Rio Grande do Sul), que pretendia se especializar em música regional gaúcha mas que, por inexistência de repertório àquela época, teve de se conformar com o gênero sertanejo e um tanto de música urbana brasileira.
Para cursar o 2o grau colegial, transferiu-se para Porto Alegre, ingressando no Colégio Júlio de Castilhos. Aos dezesseis anos de idade já colaborava para uma das principais revistas brasileiras de cultura (“Província de São Pedro”) e obteve seu primeiro emprego como revisor e repórter da “Revista do Globo”.
No ano seguinte participou da primeira Ronda Crioula/Semana Farroupilha e, munido de um caderno de aula para coletar assinaturas de eventuais jovens que se interessassem pelo assunto, tomou a iniciativa para a fundação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG), o “35″.
Nesta agremiação ele retomou seu interesse pela música regional e, na falta de repertório, foi criando suas primeiras canções, tais como a toada “Negrinho do Pastoreio” – hoje um clássico da música regional gaúcha. Bacharel pela Faculdade de Direito de Porto Alegre (UFRGS), 1952.
Formando com seu amigo Paixão Côrtes uma dedicada dupla de pesquisadores, de 1950 a 1952, realizou o levantamento de resquícios de danças regionais e produziu a recriação de danças tradicionalistas. Resultado dessa pesquisa da dupla foi o livro didático “Manual de Danças Gaúchas” e o disco long-play (o terceiro LP produzido no Brasil) “Danças Gaúchas”, na voz da cantora paulista Inezita Barroso.
"Incentivou a realização do Primeiro Congresso Tradicionalista do Rio Grande do Sul, levado a efeito na cidade de Santa Maria, em 1954, quando apresentou e viu aprovada sua tese de base socióloga “O Sentido e o Valor do Tradicionalismo”, definidora dos objetivos desse movimentos.
Em 1956 montou um grupo teatral para apresentação de sua comédia musical “Não te assusta, Zacaria!”, e saiu divulgando as danças e os costumes gauchescos por todas as regiões do Rio Grande do Sul, colhendo aplausos também nas cidades de Curitiba e São Paulo.
Residiu na capital paulista até 1954, envolvido com produção de rádio, televisão, teatro e cinema, detendo-se finalmente na área de propaganda e relações públicas. Chefe de grupo-de-criação da Jr. Walter Thompson Publicidade e chefe de relações-públicas do Banco Crefisul de Investimentos.
Voltou a Porto Alegre em 1974, já como especialista em Comunicação Social, tendo trabalhado na Mercur Publicidade e Companhia Riograndense de Saneamento, CORSAN. Aposentou-se como jornalista em 1987."
foi Secretário Estadual da Cultura, tendo então idealizado para Porto Alegre um centro oficial de cultura acadêmica, que veio a pré-inaugurar em março de 1983: a Casa de Cultura Mário Quintana.
Mantinha pequena reserva ecológica no município de Camaquã, onde residia com sua esposa Nilza, dedicada à produção artesanal de erva-mate e plantas medicinais. Filhos: Guilherme, analista de sistemas, residente em Porto Alegre e Valéria, casada com norte-americano e residente no estado de New Jersey, USA.
Teve destaque na música popular e na literatura. Dentre suas músicas, sempre de cunho gauchesco, destacam-se “Negrinho do Pastoreio”, “Quero-Quero”, “Balseiros do Rio Uruguai”, Levanta, Gaúcho!”, “Despedida”, bem como as danças tradicionalistas em parceria com Paixão Côrtes.
Fonte: sites, blogs, e enciclopédias variadas



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